Challenger Bank

Google Plex e os challenger banks

Muito se tem falado sobre fintechs e neobancos nos últimos anos, afinal são instituições que foram criadas recentemente para desafiar a ordem do mercado e revolucionar a forma com que os serviços financeiros são entregues aos seus clientes. Porém, qual a diferença entre esses termos e os Challenger Banks?

No final de 2020 a empresa de consultoria Accenture divulgou um estudo sobre esse mercado no Reino Unido que mostrou que apenas 45% dos consumidores da região acham que os Challenger Banks ainda estarão funcionando em um ano.

O mesmo estudo mostrou também que 20% dos usuários do Reino Unido não confiam em Challenger Banks para cuidar de seu bem-estar financeiro, e apenas 10% têm “muita” confiança nessas instituições para proteger seus dados, em comparação com 42% que confiam em bancos tradicionais.

O estudo chamou a atenção no mercado já que a Europa tem impulsionado a criação de bancos não tradicionais graças às regulamentações de Open Banking já em vigor na região, e o Reino Unido se destaca nesse cenário por ter um histórico como early adopter no digital banking.

No Brasil, os especialistas também têm manifestado sua preocupação com o que eles chamam de “sustentabilidade” do modelo de negócios dessas novas organizações. Porém, os dados têm ido na contramão dessas preocupações, já que os Challenger Banks são as instituições que mais crescem dentro do segmento de fintechs.

Fintechs, como já falamos aqui, são empresas que desenvolvem produtos financeiros e tem na tecnologia seu principal diferencial, pois através dela revoluciona a entrega desses produtos aos seus usuários e a própria relação entre consumidores e instituições financeiras. Dentro dessa definição temos uma série de categorias e mercados de atuação, dentre elas temos os neobancos.

Os neobancos, em sua tradução literal “novos bancos”, são instituições que nasceram digitais e têm o foco em prestação de serviços bancários. Dentro dessa categoria temos aquelas organizações que possuem uma autorização e são regulamentados pelo Banco Central, e outras que não. As que não possuem fazer parceria com os bancos já regulamentados para prestarem serviços aos seus usuários, já aquelas instituições regulamentadas são chamadas de Challenger Banks.

 

Google Plex

No final de 2020 a gigante de tecnologia Google, anunciou alguns avanços em sua plataforma de pagamento, o Google Pay, uma aplicação já categorizada como techfin. Porém com a dinamicidade do ramo é comum as empresas expandirem seu portfólio e se enquadrarem em mais de uma categoria, e o próprio Google é exemplo disso.

Dentro das atualizações anunciadas no final do último ano, o Google lançou também suas contas bancárias, chamadas Google Plex. Desde então iniciou-se uma discussão a respeito da categorização desse serviço como Challenger Bank ou não.

As contas Plex’s serão disponibilizadas gratuitamente ao público por meio do app Google Pay e poderão ser contas correntes ou de poupança e serão administradas por instituições bancárias com as quais o Google tem parceria, e o consumidor poderá selecionar a instituição que deseja que a sua conta seja hospedada.

A novidade Google tem previsão para estar disponível ainda em 2021, porém apenas nos EUA, e alguns recursos disponibilizados dependerão da instituição que o usuário escolher para hospedar a sua conta e outros serão próprios da ferramenta. Entre os específicos para a conta Plex, teremos os insights baseados em Inteligência Artificial disponibilizados pela plataforma aos seus usuários, com o objetivo de ajudar a terem uma melhor gestão dos seus recursos financeiros.

Diante de tudo isso, podemos aguardar um grande novo player no mercado dos neobancos, mas de acordo com a definição de Challenger Banks, a nova aplicação Google não se enquadraria nessa categoria, já que é necessário fazer parceria com instituições já regulamentadas. Independente da classificação, uma grande novidade para o consumidor que agora deve esperar para que a aplicação seja disponibilizada também no Brasil.