ESG

ESG: Uma nova consciência de mercado

Um estudo realizado pela consultoria BCG, mostrou que empresas que adotam melhores práticas ambientais, sociais e de governança entregam uma maior lucratividade e aumentam seu valor de mercado ao longo do tempo, isso porque, negócios mais sustentáveis podem enfrentar menos riscos de sofrerem ações ou perdas motivadas pelo descumprimento de regras nacionais ou internacionais. E é devido a esse tipo de instituição que foi criada a sigla ESG.

Em inglês, “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança), é um termo que surgiu pela primeira vez em um relatório de 2005 intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”, em tradução livre), resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas e que hoje categoriza empresas preocupadas com:

Enviromental (Meio-Ambiente):
Aquecimento global e emissão de carbono; Poluição do ar e da água; Biodiversidade; Desmatamento; Eficiência energética; Gestão de resíduos; Escassez de água.

Social (Social):
Satisfação dos clientes; Proteção de dados e privacidade; Políticas e relações de trabalho dentro da companhia; Apoio a programas de inclusão e diversidade; Defesa aos direitos humanos; Relações de suporte à comunidade; Capacidade de inovação; Capacitação e cuidado à saúde dos funcionários;

Governance (Governança):
Composição do Conselho; Estrutura do comitê de auditoria; Conduta corporativa; Independência do conselho administrativo; Política de transparência de líderes; Diversidade na composição do conselho; Qualidade dos comitês de auditoria; Responsabilidade fiscal; Ética e combate à corrupção; Garantia dos direitos dos acionistas; Relação com entidades do governo e políticos; Existência de um canal de denúncias.

Além do próprio modelo de negócio da empresa, o termo ESG também pode ser usado para a busca de investimentos em instituições que atendam a critérios de sustentabilidade. Ao invés de analisar apenas índices financeiros, por exemplo, investidores também observam fatores ambientais, sociais e de governança de uma companhia. Essa é uma modalidade de investimento que tem crescido em todo o mundo seguindo uma tendência tanto de investidores quanto de consumidores finais.

Em 2017, a empresa global de informações de dados, Nielsen, divulgou uma pesquisa sobre consumidores de todo o mundo e mostrou que 81% dos consumidores apostam muito mais em empresas que ajudam a melhorar o meio ambiente. E cerca de 60% dos consumidores estão extremamente preocupados com a poluição da água e do ar, uso de plástico em embalagens, resíduos de alimentos, entre outros.

Quando vamos para o contexto de investimento, em 1999, foi criado o Índice Dow Jones de Sustentabilidade: o primeiro índice global dedicado a mapear empresas que adotam práticas sustentáveis. Desse momento em diante, várias bolsas ao redor do mundo criaram seus próprios índices inspirados no padrão ESG, inclusive o Brasil, com seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3.

Em 2020, o total aplicado nessa modalidade chegou a 250 bilhões de dólares. Só os Estados Unidos já correspondem a 20% da participação — com um crescimento de 400% nos últimos 3 anos. Em relação à rentabilidade, mais de 60% dos fundos ESG dos Estados Unidos tiveram resultados acima da média. O percentual é menos da metade nos fundos tradicionais. No mundo todo, os investimentos sustentáveis já representam mais de 31 trilhões de dólares e 36% dos ativos totais, segundo dados da Global Sustainable Investment Alliance.

Outro grande marco do ESG foi a criação dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI, na sigla em inglês), iniciativa da ONU e investidores institucionais que tem a missão de popularizar os investimentos responsáveis no mundo e já conta com milhares de signatários.

Especialistas indicam que se a sua empresa estiver buscando o caminho ESG escolham algumas medidas a seguir:

  1. Definição do escopo de ESG:quais frentes de trabalho que serão realizadas e quais pontos que precisamos fortificar?
  2. Inventário de riscos:esse passo é o mais importante e que quase sempre é deixado de lado. A busca por parte do investidor quanto ao ESG é exatamente para entender se a empresa tem ações contra todos os riscos existentes. Se a empresa não gera um inventário de riscos, nem mesmo seus executivos sabem que pontos podem ser frágeis o bastante e com isso no futuro, desastres podem ocorrer.
  3. Ações recomendadas:após o inventário de riscos, as ações recomendadas devem ser tomadas a fim de eliminar ou mitigar os riscos inventariados. As ações devem ser acompanhadas à risca para que demonstre segurança ao investidor.
  4. Ações de compensação:muitos dos riscos gerados após mitigados, podem ainda assim permanecer ativos (o que ocorre, principalmente, em questões ambientais). Nesses casos devem ser utilizadas medidas de compensação para equilibrar os impactos gerados. Essas ações, podem ser compensação de CO2 com plantação de arvores, compra de créditos de carbono e outras que têm a mesma função.
  5. Monitoramento:Depois de todos os pontos estabelecidos, um fator que deve fazer parte da rotina de ESG é o monitoramento do plano de ação. Esse monitoramento deve ocorrer por meio de auditoria para que tudo o que foi estabelecido em escopo, inventario de riscos e planos de ação estejam conforme o planejado.