Pagamentos instantâneos

Pagamentos instantâneos ao redor do mundo

Hoje cerca de 50 países já possuem ou estão estruturando um modelo de pagamentos instantâneos, similar ao PIX brasileiro. Um exemplo de estruturação podemos perceber na Europa, onde o Banco Central Europeu atualmente tem trabalhado para fazer o sistema TIPS se popularizar, uma ideia que teve o início de sua implementação em 2018 mas que ainda não conseguiu tracionar em aderência populacional, mas cujo objetivo é permitir pagamentos instantâneos entre todos os países da zona do euro.

Nos Estados Unidos também, o Banco Central Americano (Fed – Federal Reserve) sinalizou durante este período de quarentena a necessidade de acelerar o processo de adoção do FedNow, o sistema de pagamentos instantâneos americano, previsto inicialmente para 2023; a necessidade emergencial se deu devido aos pagamentos de auxílios emergenciais que precisaram ser feitos via cheques enviados pelos correios devido à uma fatia da população desbancarizada.

Por outro lado, a Índia já é considerada um exemplo de sucesso na implantação de sistemas de pagamentos instantâneos. Em 2011 lançou sua primeira iniciativa neste sentido e ao longo do tempo foi se atualizando e se ajustando à realidade de sua população que ainda conta com um grande número de cidadãos sem conta em banco. Com esta realidade, para efetuar uma transação por meio do sistema de pagamentos instantâneos indiano não é necessário ser titular de uma conta bancária, apenas o número de telefone já é o suficiente para identificar os operadores da transação. Além deste cenário, o país tem investido em plataformas e tecnologias para combater a sonegação de impostos e falsificação de notas, por isso o Banco Central Indiano criou a UPI, interface que integra todos os atores financeiros em um único aplicativo para melhor gerenciamento do usuário.

Um outro exemplo de modelo de pagamento instantâneo bem aceito pela população encontramos no Reino Unido, que se tornou referência no setor pelo grande volume de transações que opera pelo sistema. Na China os aplicativos AliPay e WeChat Pay já permitem este tipo de transação e já são amplamente difundidos. Inicialmente tendo como forma de autenticação mais comum, o QR Code, atualmente o país tem investido em tecnologias para autenticar suas transações por meio de reconhecimento facial.

No México, o Banco Central Mexicano desenvolveu também um aplicativo específico, chamado CoDi, que permite transferências instantâneas entre pessoas físicas e jurídicas. Em dezembro de 2019 o aplicativo contava com 1,8 milhão de usuários de acordo com o órgão regulador e a expectativa é que até setembro de 2020 fossem alcançados 18 milhões de consumidores.

A digitalização global da economia vem unindo dois focos de diversos setores: diminuição de custos alinhado com facilidade para o usuário. Com a preparação para um novo cenário econômico, estudos já tem mostrado a futura rentabilidade da inovação. Em 2019, um levantamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), mostrou que a digitalização da economia nacional deve movimentar US$ 100 trilhões nos próximos 10 anos. Já uma análise da consultoria Boston Consultin Group, mostrou também que economias que utilizam majoritariamente moedas físicas tendem a crescer de forma mais lenta, e ainda, a troca para um sistema financeiro mais digital pode impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) em até 3%. Um número que se torna ainda mais relevante no cenário econômico mundial.