Criptomoedas

Moeda digital oficial x Criptomoedas

No último mês foi criado pelo Banco Central um grupo de trabalho para discutir a emissão de uma moeda digital brasileira. O planejamento é de que em seis meses seja possível levantar as informações a respeito de impactos, modelos, benefícios e custos referente à moeda e produzir um relatório a respeito. O documento será entregue à Diretoria Colegiada que decidirá sobre o seguimento ou não do projeto. Porém um levantamento já feito por servidores do órgão já mostrou que, em 2019, foram gastos R$ 90 bilhões com transporte, armazenamento e segurança da moeda física.

O modelo, porém, que começa a ser discutido se diferencia das atuais criptomoedas, pois não funcionarão através de blockchain e ficarão submetidas ao órgão regulador, se tornando apenas uma nova forma de representação da moeda física, ainda fazendo parte da base monetária brasileira.

O início desse trabalho de discussão a respeito de uma moeda digital brasileira, remonta, na verdade o desenho do sistema Open Banking, que de acordo com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a transformação iniciada pelo novo sistema tem como um dos objetivos culminar na criação de uma moeda digital. O coordenador do grupo de trabalho a respeito das moedas digitais, porém, Aristides Andrade, afirmou que seria uma mudança gradual dado ao cenário de acesso à internet no Brasil e à população desbancarizada.

Em 2019, de acordo com um comunicado oficial do Banco Central, o órgão passou a reconhecer as criptomoedas como bens, tendo sido denominadas como “ativos digitais” e passaram a ser contabilizadas na balança comercial do país. Neste mesmo ano, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) divulgou a intenção de criar a sua própria criptomoeda, proposta oficialmente apresentada e nomeada como Fedcoin em fevereiro de 2020, e funcionará através de blockchain mas será emitida por um órgão centralizado. Na China também, a emissão de uma moeda digital oficial já vem sendo testada, mas sem cronograma oficial de lançamento.

 

Criptomoedas

 

Uma criptomoeda é um recurso financeiro totalmente digital, cujas transações são criptografadas, e tem sua origem descrita pela primeira vez em 1998 com o pressuposto da não necessidade de existência de uma autoridade central reguladora. Hoje, com um custo de transações geralmente menor do que métodos tradicionais, é possível adquiri-las negociando com corretoras especializadas ou pelo processo de mineração explicado a seguir. Seus valores, porém, variam de acordo com a tradicional lei da oferta e procura.

Pela falta da regularização e centralização, as transações são registradas e validadas por um grupo de pessoas, chamados mineradores, que utilizam computadores para gravar e validar todas as operações em blockchain. Porém, para limitar o processo de criação de novas unidades de moedas digitais (mineração), quanto mais computadores são usados para aumentar a capacidade de processamento voltada à mineração, mais os problemas matemáticos que precisam ser resolvidos para resultarem na moeda, se tornam mais difíceis.

No mercado existem diversos tipos de criptomoedas, algumas foram criadas inicialmente com objetivos diferentes e outras ainda com a ideia de possuir lastro em uma moeda física. Abaixo colocamos alguns exemplos e suas respectivas características:

Bitcoin

A mais conhecida moeda digital. Foi criada em 2008 em meio à crise americana de hipotecas. O primeiro artigo publicado a respeito determinava que haverá no máximo 21 milhões de bitcoins em circulação. Os pagamentos com essa moeda não vinculam informações pessoais do usuário à transação trazendo uma maior segurança contra o roubo de dados.

Bitcoin Cash

Nova versão do bitcoin. Criada em 2017, foi desenvolvida para aperfeiçoar a moeda original, sendo sua principal diferença o tamanho do bloco, maior que do bitcoin original permitindo que a confirmação das transações aconteçam de forma mais rápida e com taxas menores. A quantidade de moedas máximas a ser minerada é a mesma do bitcoin original, 21 milhões.

Ethereum

Originalmente chamado Ether, foi criado para ser um ativo para recompensar desenvolvedores que utilizassem a plataforma Ethereum, uma plataforma descentralizada utilizada para executar “contratos inteligentes”, que são operações realizadas automaticamente quando certas condições são cumpridas. Mas hoje já é considerada uma moeda digital

Tether

Lançada em 2014, a grande diferença é que esta moeda digital  foi criada com a ideia de possuir um lastro em uma moeda física (dólar), porém em 2019 foi anunciado que nem todo Tether está lastreado em um dólar. Segundo a empresa criadora, equivalentes de caixa e outros ativos ou recebíveis também são garantias da moeda.

XRP

Moeda da plataforma Ripple, uma plataforma de pagamentos instantâneos distribuídos criada em 2012. Nela são aceitas ainda outras criptomoedas e outros bens negociáveis.

Litecoin

Criada em 2011 tem como principal diferença do bitcoin o processo de mineração. A intenção é facilitar a entrada das pessoas no processo de criação da moeda e reduzir o tempo necessário para confirmação de transações. O limite de mineração do Litecoin é de 84 milhões de moedas.